top of page

SOBRE A JORNADA

_MG_1310.jpg

O Hip Hop salva vidas e a Jornada de MC 's já salvou muitas ao longo de 15 anos de história em Pernambuco. Acreditamos no potencial transformador desse movimento cultural de identidade negra e que impulsiona a descoberta de talentos nas mais diversas quebradas do Estado. Anualmente, a Jornada de MC’s reúne artistas de mais de 30 comunidades espalhadas em diversos municípios de Pernambuco, a maioria em situação de vulnerabilidade social, por isso, o projeto vai muito além de um festival e assume a responsabilidade de promover ações educativas direcionadas aos jovens, MC’s, B-Girls, B-Boys, Artistas do Grafitti e DJs, que compõem o público alvo do evento, além de pessoas de todas as idades que simpatizam com o evento.

O formato da Jornada de MC 's inclui desde um campeonato de conhecimentos com desenvolvimento de improviso entre MC 's até oficinas, palestras, workshops e shows, cuja missão é dar visibilidade e valorizar a cultura Hip Hop. Desde o seu surgimento, em 2005, a iniciativa idealizada e coordenada pelo DJ Big promove o diálogo entre os elementos do Hip Hop com a cultura afro popular criando pontos de aproximação entre a poesia popular nordestina e o Rap. Em sua missão curatorial, a Jornada de MC 's vislumbra  congregar artistas, pensadores, críticos e articuladores da cultura, que tenham como referência a propagação de uma cultura de paz, com visão ampla, despida de preconceitos, fobias e limitações, além de fortalecer a identidade negra.

nossa história

A Jornada de MC 's nasceu em 2005, no Pátio de São Pedro, região central do Recife e reduto da cultura negra pernambucana. Foi neste local histórico, que o idealizador, o DJ pernambucano, educador social e produtor cultural, Anderson Oliveira ou Big, como é mais conhecido, deu vida a uma ação que comemora a marca de 15 anos revelando nomes das periferias do Recife e Região Metropolitana. De um lado, a força do Rap, das batidas da música eletrônica, dos vinis, da sonoridade como símbolo de uma sociedade construindo sua identificação com a resistência cultural, e, de outro, a poesia, que traduz um dos pilares do pensamento e da cultura do povo nordestino, presente na poesia popular nordestina, na literatura de cordel e nas sambadas dos mestres do Maracatu Rural. Em ambos os contextos, o verso, a construção de sentidos e formas contundentes de ver e expressar o mundo com beleza e força.

 

Nos 11 primeiros anos, a Jornada reunia centenas de jovens, de todos os gêneros, etnias, classes sociais, sempre no mês de outubro, no palco da tradicional Terça Negra, realizada pelo Movimento Negro Unificado. Em quatro terças-feiras, a jornada agitou o Pátio de São Pedro com a apresentação de dezenas de artistas da cultura Hip Hop local.

 

Desde o início, a Jornada de MC 's se consagra como um Festival, desenvolvendo novas realidades a partir da cultura Hip Hop, apresentando em sua grade de programação oficinas, atrações culturais e a realização batalhas. O Festival iniciou, assim, um ciclo de ações e desdobramentos que resultaram na criação de um palco do Hip Hop na programação oficial do Festival de Inverno de Garanhuns, em parceria com a SECULT-PE. Em seguida, ocupou um espaço importante no REC’N'PLAY, no Bairro do Recife, como festival de Cultura, Tecnologia e Sustentabilidade. 

 

Com a chegada da pandemia da COVID-19, em 2020, a Jornada de MC 's foi adiada e retoma o fôlego numa edição especial comemorativa possibilitada pela Lei Emergencial da Cultura (Lei Aldir Blanc). A programação on-line, que segue todos os protocolos de segurança, vai reunir artistas das mais diversas quebradas do Estado e, mais uma vez, pauta os valores e crenças da comunidade Hip Hop para seguir salvando vidas. 

SOBRE O CRIADOR

BIG.jpeg

Cria da Zona Norte do Recife, ao longo de 26 anos de carreira, o DJ pernambucano Anderson Oliveira, mais conhecido pela alcunha de Big, tem relevante atuação no movimento Hip Hop de Pernambuco. Além de músico e produtor cultural, Big também é educador social e utiliza os elementos da cultura de rua e popular para incidir em territórios periféricos do Recife e Região Metropolitana. Idealizador da Jornada de MC’s, que nasceu em 2005, vem fomentando a cena de MC’s, poetas, B’boys, B’girls e DJs com foco no fortalecimento da identidade negra e dos Direitos Humanos promovendo inclusão social e levando conhecimento para jovens de áreas socialmente vulneráveis.

Reconhecido na cena musical como propagador da música negra, Big reúne em suas composições sonoras batidas e estilos que misturam o Hip Hop com Drum Bass, Freestyle, Bass, Trap Music, sem deixar de lado a forte conexão com os sons regionais. Suas mixagens exploram gêneros como o Samba, Frevo, a cantoria de viola, passando também pelo Afoxé, o Coco e as toadas de Jurema Sagrada.  

Sua atuação artística ganhou mais notoriedade a partir de 1994, quando discotecou em eventos como “Baile Black do Recife” e rodas de break realizadas em diversas cidades de Pernambuco. Big foi idealizador do grupo Confluência ao lado do MC e amigo Mago; passou pela banda lendária Via Sat (2000-2005); fez participação especial no projeto Blanca Lampione (SP); e ainda alçou voos mais altos quando encarou uma turnê internacional nos Estados Unidos, ao lado da banda pernambucana Querosene e Jacaré. Além de representar Pernambuco em um Festival de Música em Albuquerque, Novo México, em 2002.
 
Dentre as experiências vivenciadas por Big, que resultaram em uma atuação forte na cena musical de Pernambuco, principalmente, também estiveram sua presença em palcos do Mix Festival, Rec-Beat, Festival de Inverno de Garanhuns, programação do Carnaval do Recife, entre outros, na qual também levou a Jornada de MC’s. Ao longo de sua carreira, já fez parcerias com nomes como B.Negão, Fred 04, Lucas dos Prazeres, China, Maciel Salu, MC Marechal, Adiel Luna, entre outros.

Como educador social, Big acumula uma bagagem que se forma desde que começou a percorrer comunidades do Recife e RMR para desenvolver projetos de empoderamento para a juventude. Em 2003, passou a integrar o projeto Pé no Chão e, graças à sua atuação ética e responsável, recebeu reconhecimento importantes. Entre eles uma premiação em Londres, na Inglaterra, pelo álbum Ato Periférico (2006), uma coletânea que reuniu 11 adolescentes dos bairros de Santo Amaro e Arruda, todos oriundos do Grupo Pé no Chão, projeto onde atua desde 2003. Outras iniciativas de destaque foram possíveis graças a parcerias importantes com entidades como o Instituto Vida e o projeto da Rede Globo, Criança Esperança no CAIC para o desenvolvimento de cursos de DJs em comunidades periféricas. Nos últimos cinco anos, Big esteve à frente da Coordenação de Ações Culturais do Compaz Eduardo Campos, localizado no Alto Santa Terezinha, Zona Norte do Recife. 

Em 2020, Big deu vida a um grande sonho, que foi o de estrear um palco na grade oficial do Carnaval do Recife. O Festival Rec DJ aconteceu durante os quatro dias de festa no Bairro do Recife reunindo mais de 40 DJs na programação. Atualmente, Big encabeça a coordenação e produção de mais uma Jornada de MC 's, que comemora 15 anos de uma história que visibiliza e fortalece jovens talentos de várias quebradas do Estado.

bottom of page